DPOC – Quando o Pulmão Chora
Entre a Tristeza e o Sopro da Vida
Autor: Carlos Aurélio da Silva Pereira
Este livro nasceu de muitos lugares: da minha própria tristeza, do meu fascínio pela respiração humana, dos pacientes que confiaram em mim, dos mestres que me mostraram o invisível, e da necessidade profunda de unir a fragilidade humana à sabedoria antiga que a acolhe. Escrevo sobre Pulmão, Qi, Po, tristeza, DPOC, depressão e esperança não como quem observa de fora, mas como quem viveu tudo isto por dentro. Escrevo porque acredito que o mundo precisa de uma medicina que escute, que toque, que compreenda a alma ao mesmo tempo que cuida do corpo.
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ISBN: 978-65-5255-138-2
Ano de publicação: 2025
Editora: Editora Humanize
Páginas: 124
DOI: 10.29327/5725298
🧾 Como citar este livro (ABNT)
📖 Prólogo
Há um instante silencioso em que o ar toca a borda dos pulmões e, antes de se transformar em vida, parece hesitar. Nesse intervalo imperceptível, onde o mundo entra em nós e nós entramos no mundo, reside o mistério que sempre guiou os antigos médicos taoistas: o sopro.
Respirar nunca foi apenas uma função fisiológica. É um pacto invisível entre corpo e cosmos, um fio de luz que atravessa a carne, desperta o movimento e sustenta o espírito. A Medicina Tradicional Chinesa nomeou este encontro de Qi, mas o que aqui chamamos Qi poderia também ser chamado presença, ritmo, sentido ou até fé.
A ciência moderna observa a respiração pelo prisma das vias aéreas, dos bronquíolos, da troca gasosa. A MTC olha para o mesmo fenômeno e vê também tristeza, coragem, desapego, impermanência. Não são leituras opostas, são partes de uma mesma realidade que aprendemos a separar, mas que a vida insiste em manter unida.
É no Pulmão, órgão do Metal, que esta dualidade se encontra. No Pulmão reside o Po, a alma corpórea que chora as perdas, guarda memórias que não cabem em palavras e molda a maneira como respiramos o mundo. A medicina ocidental descreve a dispneia; a MTC descreve a mágoa. Ambas falam do mesmo nó, apenas com idiomas diferentes.
Este livro nasce desse encontro entre linguagens como: um gesto de reconciliação entre ciência e espírito, entre clínica e poesia, entre o corpo que luta para respirar e o coração que luta para continuar.
