CEMITÉRIO DOS MESTRES: A MORTE SILENCIOSA DA EDUCAÇÃO – HUMANIZE
Autora: Clesia Carneiro da Silva Freire Queiroz.
Aos mestres que plantaram luz em terrenos áridos. Aos que se perderam na travessia e aos que seguem, mesmo feridos, sustentando o caminho. Que este livro seja memória onde houve esquecimento, eco onde houve silêncio e repouso onde ensinar virou luta.
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ISBN: 978-65-5255-162-7
Ano de publicação: 2026
Editora: Editora Humanize
Páginas: 103
DOI: 10.29327/5775106
🧾 Como citar este livro (ABNT)
📖 Nota Inicial
Esta obra assume posição. Ela nasce do cotidiano da jornada em um ambiente escolar, das rotinas exaustivas vividas por docentes e por todos os profissionais que sustentam o funcionamento institucional, e da experiência concreta de quem enfrenta, diariamente, as tensões de um sistema educacional que consome aqueles que a mantêm viva.
Não se configura como testemunho isolado, tampouco como produção teórica distante da realidade. O que se apresenta aqui resulta da intersecção entre prática vivida, escuta atenta e reflexão crítica. As páginas expõem dores, mas ultrapassam o plano individual. Revelam engrenagens, recusam a responsabilização pessoal e deslocam o foco para formas organizacionais e decisões políticas que transformam o desgaste humano em requisito tácito do trabalho educativo.
A escrita não se restringe ao magistério. Abrange agentes administrativos, equipes de apoio, técnicos, trabalhadores terceirizados e todos os sujeitos tornados invisíveis, responsáveis pela sustentação diária das instituições, frequentemente submetidos às mesmas dinâmicas de precarização, vigilância e invisibilização.
Ao observarmos o silenciamento das equipes de apoio e técnicos, deparamo-nos com o que Santos (2007) denomina sociologia das ausências. O sistema escolar produz ativamente a invisibilidade desses sujeitos, tratando-os como seres residuais ou descartáveis, cuja existência humana é ignorada em favor da manutenção puramente mecânica da instituição.
A dinâmica de poder no “Cemitério dos Mestres” não ocorre no vácuo; ela reflete o que Almeida (2019) descreve como o caráter estrutural das opressões. As instituições de ensino, ao reproduzirem hierarquias rígidas e silenciamentos seletivos, funcionam como engrenagens que perpetuam a desumanização de determinados corpos, tornando a violência institucional uma prática cotidiana e mecanizada.
Este livro não pretende conciliar interesses nem oferecer alívio àqueles que lucram com a banalização do esgotamento. Sua interlocução prioritária são os profissionais da educação que persistem — mesmo marcados — e também aqueles que já não conseguem sustentar a luta de forma solitária.
A leitura propõe um enfrentamento desconfortável: encarar práticas normalizadas, tensionar imposições históricas e admitir que, em determinados cenários, continuar existindo já constitui um gesto político.
Que estas páginas não sejam lidas como ataque, mas como chamado. Não à neutralidade — impossível. Mas à responsabilidade.
